Avaliação e Diagnóstico Intervenção
Como ser Atendido Atendimentos
AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO

Os profissionais da ABRAPA auxiliam na identificação e resolução dos problemas cognitivo-lingüísticos fundamentais ao processo de aprender.
Apóiam-se, portanto, em uma extensa base teórica de conhecimentos científicos pertencentes a várias áreas (Psicologia, Didática, Lingüística, Psicanálise, Arte, Filosofia, Sociologia etc.) aliada a uma prática clínica, sócio-educacional e/ou institucional, para criar estratégias de análise e intervenção inovadoras que contemplem a totalidade da dimensão do processo de aprendizagem.
Assim, realizam-se a avaliação e diagnóstico através de materiais lúdicos e metodologia que servem de suporte ao aprendiz ou às instituições em geral.
Para isto, desenvolvem-se pesquisas e estudos científicos relacionados ao processo de aprendizagem e seus problemas, com o objetivo de realizar avaliação, diagnóstico e intervenção, e utilizam-se estratégias, instrumentos e técnicas próprias da ABRAPA.

A ABRAPA investe seus esforços no atendimento às crianças que, por diferentes razões, fracassam na sua escolaridade, sendo vítimas da multi-repetência e da marginalização social, e impedidas de exercer sua cidadania. São crianças que, em virtude da multi-repetência, foram estigmatizadas como incapazes ou, até mesmo, deficientes mentais, e que são freqüentemente encaminhadas para classes especiais, levadas a abandonar a escola ou apenas mantidas nela de forma ineficaz, sendo igualmente marginalizadas do mercado de trabalho.

Temos especial preocupação abrangente com a educação de nossas crianças e jovens provenientes de classes populares: investigamos a

qualidade, a cobertura do atendimento escolar, a capacidade de atendimento do sistema de ensino e, sobretudo, os níveis de promoção, repetência e evasão. Buscamos também medidas afirmativas de inclusão social, já que ser cidadão é participar plenamente de uma sociedade letrada, na qual todos tenham direitos iguais, reconhecidos e atendidos.
Que critérios de avaliação e diagnóstico devem ser apontados como base dos julgamentos?
A ABRAPA propõe um conjunto de atuações - intencionais, sistemáticas e contínuas - que tem a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção psicopedagógica.
Nesse sentido, a avaliação revela elementos indispensáveis para uma reflexão sobre a sua prática, a criação permanente de novos instrumentos de trabalho mais adequados aos processos específicos de aprendizagem individual ou de um grupo.
A avaliação deve também orientar e reorientar a si mesma, proporcionando "feedbacks" quanto à eficácia dos programas, dos materiais e da metodologia ou das seqüências de atividades de observação, análise e intervenção. Desta forma, constitui-se como importante instrumento de definição de prioridades psicoeducativas, permitindo a visualização de quais ações psicopedagógicas demandam maior apoio.

De maneira completa, a avaliação deve ser plenamente abordada por processos de Metacognição, isto é, com as crianças se conscientizando de suas conquistas, dificuldades e possibilidades de reorganização de suas próprias operações lógicas na tarefa de aprender.
Esta concepção de avaliação, tecnicamente, busca desenvolver a autonomia, eficiência, objetividade e produtividade intelectual, ou seja, investir na construção de um sujeito epistêmico.
Ao invés de um caráter seletivo e excludente, esta concepção propõe que a avaliação seja constituída de ricos processos de intervenção psicopedagógica e se revele preocupada com a inclusão social das crianças através de uma aprendizagem contínua e de qualidade.

Etapas da avaliação
Devem ser dois os momentos para avaliar: uma avaliação inicial ou investigativa e uma avaliação dinâmica ou mediadora.
Entre as características dessa avaliação inicial, duas são as mais evidentes:
· adequação do planejamento de intervenção às características das crianças, levando em consideração os conhecimentos prévios e as habilidades cognitivo-lingüísticas para aprender.

· tomada de consciência da criança do que ela já sabe e do que pode ainda aprender sobre um determinado conjunto de conhecimentos e habilidades.
A avaliação dinâmica, por sua vez, deve promover a assimilação das reestruturações de regras e informações alcançadas pelas crianças durante e ao final do próprio período de avaliação e de intervenção. A partir dela pode-se saber o que a criança é capaz de transformar em seu pensamento. Esta avaliação tem a intenção de averiguar o nível de plasticidade presente na construção do conhecimento para delimitar objetivos a que o plano de intervenção e avaliação final irá se propor.
Não se trata, porém, de dois momentos estanques ou episódicos, de atividades específicas ou de armadilhas. As atividades avaliativas devem ser contínuas e

semelhantes às situações de aprendizagem comumente estruturadas de forma lúdica, revelando quais os progressos e/ou dificuldades cognitivas, lingüísticas e sócio-afetivas.

A concepção do processo avaliativo existe de forma seqüencial, obedecendo a um fio condutor coerente com o desenvolvimento da lógica e com a aquisição de linguagem. As respostas dadas pelo processo psicopedagógico em funcionamento passam a fazer parte de uma meta-avaliação, em que se valoriza a tomada de consciência das operações lógicas realizadas pela criança, com vistas a fazer avançar os níveis de complexidade do pensamento, além de melhorar o planejamento da intervenção, a sua dinâmica e os próprios instrumentos de avaliação da aprendizagem.

Considerando que a avaliação deve ser contínua e sistemática, durante as atividades psicopedagógicas, seus momentos devem ser definidos claramente com vistas a alcançar o máximo de objetividade possível. Deve utilizar uma diversidade de instrumentos e situações lúdicas, contrastando as diferentes capacidades cognitivas e os conhecimentos em jogo com os dados obtidos; deve observar a transferência das aprendizagens em contextos diferentes; deve utilizar diferentes códigos - por exemplo, o verbal, o oral, o escrito, o gráfico, o numérico, o pictórico - de forma a considerar as diferentes aptidões; deve servir como momentos de observações sistemáticas, durante os quais são analisadas as produções. Também deve ser delegada às crianças a prática da auto-avaliação, como instrumento de auto-regulação para as diferentes aprendizagens.
A função da avaliação e diagnóstico é estar a serviço da promoção do potencial cognitivo-lingüístico e sócio-afetivo das crianças. Afinal, todo o processo de ensino-aprendizagem não constitui um fim em si mesmo, incluindo aí a avaliação psicopedagógica.

Critérios de Avaliação
A avaliação e diagnóstico cognitivo-lingüístico explicitam as expectativas de aprendizagem, considerando os objetivos e os conteúdos de conhecimento, a organização lógica e interna destes conteúdos, as particularidades de cada momento da intervenção e as possibilidades de aprendizagem decorrentes das mudanças cognitivas.
Os critérios são, desse ponto de vista, modos de julgar e por isso devem refletir de forma equilibrada os diferentes tipos de capacidades e as três dimensões dos conteúdos de conhecimentos (linguagem, imaginário e lógica). Estas se tornam critérios reais, principalmente quando são estabelecidos a partir da avaliação inicial e dinâmica.
Os critérios são algorítimos, regras ou representações e idéias ou informações sobre o que pode se fazer com elas. Segundo tais critérios é que a aprendizagem é julgada. Em termos de operacionalização, a prática psicopedagógica eficiente, econômica e produtiva será, por sua vez, orientada pelos critérios.
A clareza na formulação de um critério deve ser buscada com intensidade. Quanto mais claro for, mais poderá orientar a valorização de uma situação-problema durante uma atividade intelectiva.

A avaliação em referência aos critérios tende a revivificar a objetividade que deve imperar nos processos de avaliação. O objetivismo que se pretende com a avaliação em referência aos critérios favorece a autoridade psicopedagógica, no sentido de selecionar cientificamente as significações que considerar como legítimas.

Resultados da avaliação: O Diagnóstico
O diagnóstico deve ser considerado com base nos critérios de avaliação utilizados, juntamente com os aspectos de sociabilidade e de ordem emocional, para que a intervenção seja a melhor possível, tendo em vista a continuidade da construção do conhecimento.