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MATERIAL
TÉCNICO-PEDAGÓGICO
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Jogos gigantes
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Júnyor Palhares
Especialista em jogos
Conselheiro da ABRAPA Associação Brasileira de
Problemas de Aprendizagem
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1.
Argumento
Através
das sensações, percebemos o mundo. Nosso corpo experimenta
os estímulos e sente. Essas experiências sensoriais,
quando englobam vários dos nossos sentidos físicos, mentais
e espirituais, aumentam consideravelmente a percepção do
que estamos vivendo.
Toda emoção está associada a um movimento,
afirma Alexander Lowen na sua prática bioenergética.
Nos jogos, inclusive os tradicionais, isso é visível na
euforia de movimentos que crianças e adultos demonstram ao enfrentar
os obstáculos que se sucedem numa partida. O simples atirar dos
dados se transforma numa mímica teatral que cria suspense e reflete
a emoção da jogada.
Entretanto, vivemos num mundo de complexa e sofisticada tecnologia, que,
por um lado, permite vôos ilimitados da nossa imaginação,
mas, por outro, nos cerceia na medida em que a imensa maioria das informações
chega até nós através de dois únicos estímulos
sensoriais: a visão e a audição.
Pode soar estranha esta afirmação, porque é tão
corriqueira a ditadura dos canais visual e auditivo que nem
nos damos conta dela. O mais abrangente meio de comunicação,
por exemplo a televisão , é visual e sonoro.
O computador é imagem, o rádio é som. Até
na escolha dos alimentos, nos supermercados, onde olfato, paladar e tato
deveriam atuar, o que temos? Caixas e potes fechados com rótulos
cheios de imagens e textos.
Sentir passou, infelizmente, a obedecer a uma dinâmica
hierárquica, diferente dos mecanismos naturais que dão origem
a nossos pensamentos e que operam simultaneamente e de forma não-linear.
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A língua de sinais, que
tem uma estética tridimensional, e a acuidade visual, que a falta
de audição amplia, são ferramentas naturais que,
através do uso do corpo e dos demais sentidos, possibilitam ganhos
na linguagem de uma forma lúdica e prazerosa.
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2.
Jogos gigantes
De alguma
maneira, talvez inconsciente, essas observações me influenciaram
na opção por desenvolver jogos gigantes.
Diferente dos conhecidos jogos de tabuleiro e mesa, a sua dimensão
original permite a participação corporal dentro
do campo de jogo. Como um tapete de quatro, seis e até quatorze
metros quadrados, ele se transforma num cenário horizontal repleto
de cores, formas, situações, números e todos os signos
que se queira utilizar.
Nesse cenário, onde a pessoa passa a ser peça do jogo e
o dado já não se esconde na mão, os referenciais
se subvertem e a mente deixa de ser soberana nas ações.
Você se posiciona fisicamente por inteiro e a interatividade corporal
entre os jogadores ocorre com mais liberdade. Os limites físicos
se ampliam, o toque interpessoal não é apenas permitido,
mas faz parte integrante da dinâmica. As relações
se facilitam pelos estímulos sensoriais diversos que ocupam o cenário
do jogo.
Essa proposta não é, entretanto, nenhuma novidade. É
apenas o resgate de brincadeiras, como a amarelinha e tantas outras, que
se praticavam quando a rua ainda era o espaço de brincar e conviver.
A idéia se amplia na variação das temáticas
que abrangem conteúdos de linguagem, matemática, meio ambiente
e geografia entre tantos outros, ou tudo misturado de acordo com as características
culturais que cada grupo pretende trabalhar.
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3. Construções mentais
Relações
táteis e sensoriais ocorrem desde o nosso nascimento. São
experiências de reconhecimento do mundo e, via de regra, são
incentivadas no meio familiar. Porém, a maioria das famílias
vive em situações bastante restritas do ponto de vista material,
e o tempo livre para pais e parentes se dedicarem aos filhos é
exíguo. Nesse universo, as crianças não têm
acesso a atividades que favoreçam construções psicomotoras
mais elaboradas.
A grande indústria de brinquedos e jogos produz para esta faixa
etária diversos produtos que permitem descobertas sensoriais individuais,
mas que oferecem poucas possibilidades de construções coletivas,
que estimulariam a sociabilização e a cooperação.
A opção se direciona, quase sempre, para uma peça
única, macia, maleável, às vezes até com cheiro,
preferencialmente de plástico ou borracha. O brincar é solitário,
e não solidário. Produzir jogos coletivos para esta idade
exige peças e acessórios graúdos, o que talvez não
seja economicamente interessante.
É a pré-escola que possui a possibilidade e a responsabilidade
de desenvolver jogos e atividades sensoriais e psicomotoras criativamente
estimulantes. Ao trabalhar com tribos semelhantes, de idade,
cultura e especificidades próprias, os educadores podem criar relações
mais ricas e frutíferas.
Brincadeiras e jogos de proporções gigantes já são
uma prática usada pelos educadores. A inserção de
tapetes interativos é mais uma opção para se agilizar
esta prática, tanto do ponto de vista da variação
estética e artística, como da adequação do
conteúdo ao projeto pedagógico diferenciado de cada escola.
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4.
Formas e cores
O diferencial
qualitativo do jogo coletivo em relação à brincadeira
individual é a iniciação a regras e posturas. Estas
favorecem a associação de idéias e o entrosamento
do grupo em torno delas.
Ao empilhar blocos em conjunto, a criança age em sintonia com a
ação anterior da outra, que modificou a construção.
Da mesma forma, jogos com dinâmicas simples, de busca de figuras
ou corrida de cores, permitem esta sintonia, interrelacionando não
só o agir como também o pensar.
Em crianças que possuem a imagem e o canal visual como base de
comunicação, como no caso da deficiência auditiva,
os ganhos na formulação das idéias e linguagem podem
ser maiores.
Refazer o trajeto, repassar as situações até a sua
fixação, é uma forma de organização
do pensamento. Na aquisição da linguagem interna da criança
surda, esta possibilidade visual e coletiva de se construir história
e regras a partir de imensos cenários aguça a curiosidade
dos participantes e libera o uso dos outros sentidos, fator que, certamente,
enriquece o desenvolvimento neuro-psíquico.
A língua de sinais, que tem uma estética tridimensional,
e a acuidade visual, que a falta de audição amplia, são
ferramentas naturais que, através do uso do corpo e dos demais
sentidos, possibilitam ganhos na linguagem de uma forma lúdica
e prazerosa.
Minha experiência pessoal na área é de origem prática,
pois acompanho os avanços e tropeços que meu filho, com
surdez congênita, e seus amigos enfrentam na aquisição
da linguagem.
Ainda como uma semente, a produção de jogos interativos
gigantes dirigidos à educação especial é,
para mim, um campo de atuação fértil e promissor,
aberto à participação de educadores e pesquisadores
do tema.
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