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Visualidade e
surdez:
a revelação do pensamento
plástico

Carla Verônica
Machado Marques

Psicóloga – Psicopedagoga
Mestre em Antropologia da Arte – UFRJ
Profª da Faculdade de Medicina – UFRJ – Curso de Fonoaudiologia
Profª do INES

 

“A faculdade de se exprimir e de decodificar as diferentes categorias de linguagem não foi dividida de maneira igualitária entre os homens, como tampouco o foram os outros dons do corpo e do espírito. Alguns são verbalmente cegos e surdos, outros são musical e opticamente. Só peço que os que mais desprezam esses problemas se recordem de que a música, a dança ou a pintura sensibilizaram tantos indivíduos na história quanto a palavra ou as formas de linguagem. Civilizações inteiras tiveram signos não escritos como meio de transmissão de pensamento”.

Francastel

O pensamento visual dependente da visão, canal sensorial predominante na atividade comunicativa dos surdos, lhes permite superar limitações de ordem auditiva para construir seu conhecimento de mundo, relacionando linguagem, imaginação e realidade.
O obstáculo sensorial auditivo cria situações comunicativas específicas para o surdo, porém, não o impede de adquirir uma linguagem, nem o desenvolvimento da sua capacidade de representação. Porém, tal processo envolve mecanismos mentais, também diferentes daqueles da pessoa ouvinte e, por isso, tornam-se responsáveis pela construção de esquemas de pensamento e estratégias intelectivas que dependem da natureza do desenvolvimento lingüístico-cognitivo que lhes é próprio.
O desenvolvimento lingüístico e cognitivo é, portanto, que define o uso de estratégias intelectivas e de esquemas de pensamento característicos.
Isto significa dizer que as representações simbólicas do mundo construídas pelo ser humano dependem dos seus canais sensoriais, isto porque são eles que definem as condições disponíveis de modalidade de entendimento, de linguagem e de comunicação com o meio.
O fato de o surdo se vir impossibilitado de adquirir língua oral espontaneamente faz com que ele apreenda o mundo pela visão, encontrando na Língua de Sinais, a modalidade visual-gestual de língua natural (que não oferece nenhum obstáculo sensorial) para se inserir no mundo em que vive e a partir daí organizar o raciocínio e desenvolver seus processos cognitivos.
A partir de processos visuais, o surdo pode, então, estruturar comunicação, imagem e língua, ordenando a experiência através do uso da forma. Portanto, podemos dizer que o surdo cria conceitos visuais, tratando a forma como resultado de um ato específico de elaboração e invenção de esquemas de pensamento. Isto, segundo Francastel (1990 e 1993), é denominado de “pensamento plástico”, ou seja, um pensamento que decorre de um conhecimento fundamental, que atravessa idéias e comportamentos através de uma linguagem. Tal linguagem existe através de imagens e representações mentais que informam a percepção da realidade de acordo com características intelectivas próprias.
De acordo com esta idéia, podemos considerar que trabalhos plásticos de pessoas adultas surdas severas e profundas podem servir de objeto para a investigação acerca da natureza das suas imagens internas. O estudo destas obras pode-nos fazer aproximar do seu conhecimento e dos princípios que utilizam para expressar o pensamento plástico, e, portanto, nos pode informar sobre as percepções e comportamentos cognitivos espontâneos.
Curiosamente, a análise de desenhos de pessoas surdas mostra muito intensamente a valorização da imagem enquanto função de linguagem, isto é, a imagem como representação, expressão e comunicação do pensamento. Tal fato é demonstrado, pela enorme força e poder comunicativo das obras que produzem (Figs. 1 e 2).
Portanto, visualidade parece representar, para a pessoa surda, o principal canal de processamento de esquemas de pensamento, por ser capaz de propiciar naturalmente a aquisição, construção e a expressão de conhecimento, valores e vivências, que de outra maneira seriam incomunicáveis.
O fato de os trabalhos artísticos de surdos revelarem princípios que indicam a existência de um pensamento plástico particularizado nos informa sobre a força de uma concepção específica de mundo, mostrando que a imagem simbólica e o signo visual são, sem dúvida, o meio principal de comunicação, que lhes serve como suporte e esquema para a interação sócio-cultural.
Por isso, as pessoas surdas demonstram, em suas obras uma vasta riqueza de símbolos, canalizando uma enorme quantidade de informações através de formas que condensam significado e representações da essência de suas idéias. Estas manifestações são altamente comunicativas por carregarem conhecimentos e abstrações mentais através de representações que, muitas vezes, se expressam em imagens de aspecto figurativo (apresentação de características e valor dos objetos) e simbólico (Fig. 3).
Podemos afirmar, então, que a expressão artística de surdos parece servir-lhes de meio para veicular símbolos através de uma linguagem formal plástica, porque possibilita a articulação visível do pensamento e da experiência através da coordenação e subordinação inteligente de figuras, ou seja, de imagens interiores.
Fig.1 - Desenho sobre o tema: “Egito” – Valorização do conhecimento – presença de detalhes.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.
Fig.2 – Desenho sobre o tema: “Idade Média” – Riqueza de detalhes organizados em uma cena total.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.
Fig.3 – Desenho sobre
o tema: “Barroco” –
Riqueza de símbolos.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma
língua particular.

 

Isto quer dizer que o surdo pode partir de estruturas próprias de pensamento plástico, organizadas previamente, para buscar formas específicas de representação, realizando experimentos para compor e recompor os elementos de que dispõe. Com isto ele se torna apto a ordenar sua capacidade de expressão e procurar resultados dentro de um sistema baseado na escolha de princípios visuais apropriados ao seu funcionamento cognitivo espontâneo.
O estilo cognitivo peculiar ao surdo concretiza-se de acordo com um padrão e referenciais sociais e psicológicos característicos, que parecem envolver um tipo “visualizado” de concepção de mundo causada pela necessidade de compor a sua mensagem a partir de imagens mentais esquematizadas na linguagem visual.
Isto é claramente demonstrado pela sua enorme habilidade para estruturar composições visuais. O surdo parece utilizar a forma com o objetivo de se comunicar e para isso explica, expressa, afeta, dirige e inspira (Figs. 4 e 5), enfatizando ao máximo as suas intenções para atingir a obtenção de respostas, abrindo vias de acesso e contato com o outro.

Desta forma, as mensagens visuais transmitidas pela pessoa surda parecem conter uma organização visual própria à sua compreensão e ao seu funcionamento lógico natural, materializados no uso de técnicas e nos instrumentos da composição visual.
Isto mostra que o raciocínio e a linguagem do surdo só podem ser compreendidos se relacionados à natureza da sua interação com o mundo, isto é, sob uma visão da realidade onde conteúdo e forma são percebidos simultaneamente, porque resultam de um pensamento elaborado por imagens mentais.

Fig.4 – Desenho sobre o tema: “Pré-História” – Composição explicativa e descritiva.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.

 

Fig.5 – Desenho sobre o tema: “Suméria” –
Composição descritiva de clareza comunicativa.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.
Fig.6 – Desenho espontâneo
sobre o tema: “Casa” – Presença de simultaneidade, imaginação e multiplicidade de visões de planos espaciais.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.
Fig.7 - Desenho espontâneo sobre o tema: “Sexualidade” – Conjugação de pontos de vista.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.

 

Significante e significado parecem constituir uma só realidade mental, intraduzíveis e concebidos sinteticamente em estruturas visuais. Através de uma linguagem não-verbal, o surdo cataliza processos vitais de emoção e sensação para representar o mais concretamente possível a experiência.
Observamos, então, que o surdo parece manipular, em suas obras, um tipo específico de pensamento plástico, expressando, predominantemente, processos mentais relativos aos princípios postos em ação pela arte Cubista, isto é, manifestando características visuais de ordem sintética e simultânea (superposição de planos e conjugação de visões), e que utilizam diferentemente a significação do espaço como a expressão de uma operação mental e não como representação (Figs.6 e 7).
Estas características são extremamente coerentes com a natureza dos modelos de pensamento do surdo que, independente do que é convencionado pelas pessoas ouvintes, se utiliza das modalidades de linguagem de acordo com suas necessidades objetivas, o que o liberta de certos modelos veiculados pela cultura.
O surdo parece, assim, colocar em sua expressão artística muitos fatores presentes na imagem interior que tem de seus conhecimentos, buscando realizar efeitos plásticos que estejam em sintonia com o sentimento que possui e se expressa no conjunto de esquemas que idealiza. A clareza das mensagens coincide com a clareza dessas imagens interiores riquíssimas em formas, conteúdo e linguagem simbólica intelectualizada (Figs. 8 e 9).
Em termos gerais, podemos, então, ter a certeza de que grande parte do processo de aprendizagem do indivíduo com deficiência auditiva é visual. Neste caso, se a visão é o principal canal de compreensão de eventos e a responsável pela recepção de mensagens vindas do meio exterior, então a visualidade é também a ferramenta de trabalho que lhe confere competência intelectiva na expressão do pensamento.
Isto nos leva a crer que o uso da linguagem plástica visual por surdos significa, portanto, uma oportunidade que eles parecem ter tanto para coordenar idéias quanto para registrá-las e transformá-las em estruturas organizadas de conhecimento autêntico.
De acordo com isto, o canal visual, que inclui também o pensamento plástico, permite a leitura do mundo pelo surdo e constitui o suporte do seu processamento mental.

Fig.8 – Desenho espontâneo sobre o tema: “Casa” – Apresentação de conhecimentos e operações mentais em detrimento da representação convencional do espaço visível que inclui as relações de grandeza entre os objetos.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.
Fig.9 – Desenho espontâneo sobre o tema: “Casa” – Conjugação de pontos de vista, fragmentação do
espaço e simultaneidade de planos.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua
particular.
Fig.10 – Desenho sobre o tema: “Egito” – Associação entre o pensamento plástico e o lingüístico – utilização da imagem associada à escrita ideográfica.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.
Fig.11 – Desenho sobre o tema: “Idade Moderna” – Inventividade e apresentação de riqueza de informações.
*Material produzido pelo aluno informante surdo, sem conhecimento de uma língua particular.

Assim, o pensamento da pessoa surda é dependente das imagens não só para expressar, mas para existir. Cada imagem relaciona alguma coisa com outra, estabelecendo sucessivas relações. Cada imagem se movimenta, amadurece e se desenvolve, desempenha uma função, soluciona um problema. Este fluxo de imagens acontece como tipo de linguagem-vida interior.

De maneira geral, esta habilidade visual intensa que o surdo dispõe para desenvolver seu pensamento, parece sustentar os aspectos formais da linguagem plástica que são revelados em suas obras. O fato de o surdo utilizar a linguagem visual para expressar sua lógica e sua visão abstrata do mundo condensa, em suas obras, relações conceituais de alto grau de esquematização, em um sistema de representações que comunicam uma concepção particularizada da realidade.
Desta forma, podemos dizer que o surdo confere às imagens que produz uma forma que se identifica inteiramente com elementos presentes em seu pensamento. Para o surdo, a imagem deve aparecer na obra como o instrumento necessário para evocar e pensar sua experiência. Através dela, estabelece modificações e transformações cognitivas, manipulando estruturas mentais. A obra é o próprio pensamento. O pensamento é a obra.
Assim, se o surdo tem uma imensa capacidade para lidar com as imagens como um amplo sistema de significantes e significados simbólicos, ou seja, de combinações de formas e de conceitos, formando um pensamento representativo próprio, então a representação visual desempenha para ele uma função essencial na confrontação de experiências e na construção de modelos de raciocínio, formulando a união entre interpretação, imaginação e experiência visual direta. Conseqüentemente, é possível afirmar-se que as funções de linguagem nos surdos desenvolvem-se, basicamente, através da estruturação de imagens de conhecimento.
Se as imagens se apresentam para o surdo como um sistema de significantes que lhe serve para esquematizar a realidade, então pode também conduzi-lo à interpretação e compreensão mais precisa de regras, num sentido orientado, como no caso da aquisição da Língua de Sinais e da língua escrita.
A imagem pode ser para o surdo, tal como a palavra o é para o ouvinte, a expressão de conteúdos semânticos. A visualidade pode levar o surdo a desenvolver conhecimentos específicos, dependentes de regras e funções pragmáticas pertencentes tanto ao pensamento plástico quanto ao pensamento lingüístico (Fig. 10).
Todos estes dados nos levaram a considerar que a pessoa surda detém muitas qualidades cognitivas decorrentes do uso do pensamento visual, como, por exemplo, a habilidade de combinar imagens e conceitos, para construir e assimilar conhecimento. A imagem é, portanto, a linguagem fundamental para o surdo, a forma e o meio mais completo de verificação perceptiva e de representação, desempenhando a função essencial na reflexão e na elaboração de estratégias de pensamento e ação.
Em termos gerais, podemos dimensionar a importância da utilização da imagem, ou seja, das linguagens artísticas visuais (foto, desenho, modelagem, escultura, pintura etc.) na construção da subjetividade pela pessoa surda.


A comunicação visual ocupa, neste caso, o papel principal de mediação e sistematização de informações, compreendendo a expressão pessoal, a observação e a capacidade crítica.

A linguagem visual pode assegurar ao surdo o equilíbrio entre as operações do pensamento e a expressão de idéias. Por isso, observamos com freqüência, nos trabalhos plásticos dos surdos, a externalização de abstrações mentais através da simplificação de formas depuradas até os elementos básicos dos esquemas visuais que contróem em suas mentes.
Isto significa que as obras estruturam uma inteligência sensível e uma linguagem interior que são capazes de incentivar qualidades de discernimento que lhes são inerentes.

Os surdos parecem criar, sistematicamente, imagens que significam um real desafio à construção e à inventividade do seu conhecimento (Fig. 11). O uso da visualidade como linguagem-pensamento faz o surdo ultrapassar, em suas obras, a assimilação de informações e o raciocínio concreto para atingir a imaginação criativa e a capacidade de utilizar conhecimentos formais como referência de sua ação e participação na cultura e na tradição da comunidade.
A linguagem visual para a pessoa surda é sistematização e produto do seu desenvolvimento cognitivo e histórico, tornando-se instrumento para a formulação de generalizações que facilitam a transição da reflexão sensorial espontânea para o pensamento racional através do uso de signos. Isto implica uma organização particular da atividade cognitiva que, por ser autêntica, pode ser capturada nos trabalhos plásticos, assim como na estrutura da Língua de Sinais. Ambos revelam em seus elementos uma forte relação entre propósito e composição, por serem esquemas autônomos e, de certa forma, semelhantes sistemas visuais de comunicação e linguagem.
Tania A. Felipe (1989, p.106) nos diz, do surdo, que:
“... apreende o mundo mais pela visão e portanto está aguçado para a percepção simultânea, já que sua própria língua é predominantemente simultânea na transmissão de idéias”.
Isto quer dizer que, plástico e/ou da Língua de Sinais, a visualidade sempre constitui a ferramenta básica do pensamento do surdo. A visão em funcionamento, fazendo as formas se movimentarem para produzir língua ou obras de arte, é sempre geradora de imagens abstratas ou figurativas, lingüísticas ou plásticas, é sempre resultado do uso maciço e diversificado de estruturas mentais ricas de significados que possibilitam ao surdo codificar e decodificar esquemas conceituais para estabelecer novas relações entre os conteúdos semânticos, coordenando diferentes pontos de vista para relativizar idéias e construir valores pessoais. A descoberta de regras internas confere ao surdo o poder de, em suas obras artísticas e no uso da língua gestual-visual, possuir uma natureza dinâmica que é descoberta através da capacidade que apresenta de formular configurações e arranjos de imagens construídas independentemente das regras de pensamento plástico e lingüístico estipuladas pela sociedade ouvinte.
O uso destas concepções na educação especial pode significar a inserção do surdo nas esferas mais eruditas do conhecimento. Por este motivo, a educação especial deve ampliar a experiência social e cultural que o surdo apreende inicialmente no contato com a sua família. Neste sentido, a postura do educador se define como alguém que deve orientar o surdo, da maneira mais autêntica possível, no seu processo de crescimento social, cultural e de sua sensibilidade para que possa desenvolver seu raciocínio. Para isto, só possui, como estratégia, a linguagem visual, por ser a única capaz de se adequar às construções lógico-formais que o surdo desenvolve naturalmente a partir de suas experiências visuais do conhecimento e da língua.
As artes visuais podem oferecer ao surdo maneiras de simbolizar estas construções, dando forma a conteúdos que não podem ser traduzidos inicialmente em palavras, isto é, serem nomeados, comparados e explicados verbalmente. A partir da formalização da imagem que lhe é interna, o surdo pode explicitar símbolos que ganham significado e organização num sistema de partes e relações integradas de modo a configurar sentido.
Para o surdo, o símbolo visual explicitado concretiza e comunica significado, tranformando-se em experiência que estabelece ligações entre forma e conteúdo. As artes visuais mobilizam, assim, significados e símbolos num processo que libera a criatividade e, portanto, amplia os recursos pessoais de linguagem.
O uso do canal visual significa para o surdo a possibilidade de agilizar elementos de socialização que são fundamentais para a organização do pensamento e sua inserção num contexto cultural mais amplo. Isto significa dizer que, as obras de arte o fazem interagir com um somatório de situações cognitivamente desafiantes.
Assim, o trabalho de resgate dos potenciais criativos, críticos, integradores, socializantes, conscientizadores, cognitivos e afetivos, só é possível ao surdo se este puder utilizar o canal visual. Apenas desta forma pode tornar-se capaz de produzir símbolos e atribuir significados, ser capaz de fazer abstrações inovadoras e, através das artes visuais, libertar o pensamento plástico que lhe é inerente.

As artes visuais são um meio seguro de fazer o surdo ampliar seu conhecimento de mundo, levando-o a participar ativamente de seu próprio desenvolvimento pessoal, já que, produzindo uma obra de arte, o surdo satisfaz, dentro do canal que lhe é natural, aquilo que é mais importante para a sua inserção na sociedade: a comunicação. O acesso a obras de arte pode propiciar ao surdo experiências particulares de conhecimento, e, ao mesmo tempo relacioná-las com as da sociedade. De posse de instrumentos visuais, o surdo pode usar seus próprios recursos para obter informações sobre si mesmo, podendo também produzi-las e trocá-las com os demais, atingindo assim a sua cidadania.
Uma proposta pedagógica com surdos através de atividades artísticas visuais é perfeitamente adequada às necessidades específicas, principalmente dos surdos severos e profundos, mesmo que sem o domínio da Língua de Sinais. Esta proposta apresenta estratégias que podem ser universais no trabalho de aquisição de língua portuguesa com surdos em geral.
A utilização de atividades de arte pode ser um meio fundamental para a construção de conteúdos semânticos pelo surdo, que podem ser transformados em representações na Língua de Sinais, gerando objetos con-ceituais, desenvolvendo o potencial cognitivo e promovendo condições para a aquisição da leitura e da escrita (língua portuguesa).
Por isso, os resultados obtidos na área de alfabetização de surdos, através do canal visual, podem ser muito positivos. A linguagem visual pode favorecer as construções lógico-formais da Língua de Sinais, da escrita e do conhecimento em geral, porque respeita a ordem individual e social envolvida na apreensão destes objetos de conhecimento.

Revista Espaço nº 12

dezembro de 1999

INES - MEC

"Visualidade e surdez:a revelação do pensamento plástico" por Carla Verônica Machado Marques

"Mudando as regras do jogo" por Thomas Bakk

"Jogos Gigantes" por Júnyor Palhares

"O Jogo na Construção da Linguagem" por Andreia Passos Ferreira